Desde o ano passado nos dias de calor e sol aparecem-me no rosto, peito e costas borbulhinhas, sem pus, mas mesmo muitas.
Aquilo que me parece que está a descrever, e que muita gente chama de "alergia ao sol", é o que se designa de lucite estival benigna na linguagem médica e que é a mais comum das fotodermatoses.
Não se conhece bem o mecanismo desta dermatose, mas sabe-se que é desencadeada por uma parte do espectro da luz solar especialmente os ultra-violetas de tipo A (UVA) e aparece no início da exposição ao sol com tendência para desaparecer com a continuação da mesma, levando ao que se designa por endurecimento cutâneo. Este rash aparece habitualmente nas 12-24 horas após a primeira exposiçaõ ao sol, despertando algum ardor e prurido e dura cerca de 7-10 dias. Curiosamente as áreas habitualmente expostas ao sol como a face e pescoço costumam ser poupadas embora o envolvimento do resto da pele possa ser bastante severo.
A prevenção desta patologia pode ser feita pela aplicação de écrans solares físicos com factor de proteção elevado, pela toma de suplementos com beta-carotenos ou outras moléculas que aumentam a resistência à radiação solar (caso dos anti-palúdicos) ou mesmo recorrer à exposição prévia e gradual da pele à fototerapia com UVA's para induzir o tal endurecimento e resistência "natural". Em termos terapêuticos, após o aparecimento das lesões, o recurso a cremes calmantes, sprays de água termal, corticosteróides tópicos ou mesmo a toma de anti-histamínicos ou corticóides pode ser necessária.